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Doação de leite humano cresce em MS, mas estoque crítico acende alerta em hospital da Capital

Mesmo com aumento na coleta em 2025, unidade em Campo Grande tem reserva para apenas três dias e reforça apelo por novas doações

📅 30/03/2026 10:01 | Fonte: Agência de Notícias MS
Doação de leite humano cresce em MS, mas estoque crítico acende alerta em hospital da Capital
Foto: Arquivo SES

O Mato Grosso do Sul registrou avanço na doação de leite humano em 2025, com crescimento no volume coletado em quatro dos cinco bancos de leite do Estado. Apesar do cenário positivo, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande, enfrenta uma situação de alerta: o estoque atual é suficiente para apenas três dias.

O Estado conta com cinco bancos de leite integrados à Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Juntas, as unidades já ultrapassaram a marca de 7 mil litros coletados somente em 2025, consolidando uma rede essencial para a saúde neonatal.

Entre os destaques, o banco de leite do Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ampliou a coleta de 1.036,1 litros em 2024 para 1.104,1 litros em 2025. Na Santa Casa de Campo Grande, o volume passou de 1.609,6 para 1.771,2 litros.

Já o BLH Dr. João Aprígio, da Maternidade Cândido Mariano, registrou crescimento significativo, saindo de 2.043,2 para 2.350,2 litros, além de aumento no número de doadoras, que passou de 1.779 para 1.923.

No interior, o hospital universitário da Universidade Federal da Grande Dourados também apresentou alta na coleta, passando de 1.501,5 para 1.567,8 litros. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul manteve a assistência, com 464,5 litros distribuídos em 2025 e aumento no número de recém-nascidos atendidos.

Impacto direto na vida dos recém-nascidos

O leite humano doado é coletado, testado e pasteurizado antes de ser distribuído às UTIs neonatais. O alimento é fundamental para a recuperação de bebês prematuros ou internados, contribuindo para a prevenção de infecções, ganho de peso adequado e redução do tempo de internação.

A secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, destaca que os números refletem o fortalecimento das políticas públicas de incentivo à amamentação.

“Cada litro coletado representa uma rede funcionando: profissionais capacitados, mães sensibilizadas e bebês recebendo um alimento que salva vidas”, afirmou.

O gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, reforça que a amamentação é uma estratégia essencial de saúde pública, diretamente ligada à segurança alimentar e à prevenção de doenças.

Rede começa no pré-natal

O fortalecimento da rede de doação começa ainda no pré-natal e passa pela atuação da Atenção Primária à Saúde. A referência técnica em aleitamento materno da SES, Liliane Rodrigues, destaca que o incentivo precisa ser contínuo.

“O banco de leite não é apenas coleta e distribuição. É acolhimento, orientação e suporte. Cada doação pode fazer diferença direta na recuperação de um recém-nascido”, explicou.

Alerta e mobilização

Apesar do crescimento nos índices, a situação do Humap reforça a necessidade urgente de novas doações. Segundo especialistas, o estoque reduzido pode comprometer o atendimento de bebês internados nos próximos dias.

A orientação é que mães que estejam amamentando e possam doar procurem o banco de leite mais próximo. A doação é segura, simples e pode salvar vidas.

O tema ganhará ainda mais destaque no Estado com a realização, entre os dias 26 e 30 de abril, do XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno e do VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável, que devem reunir especialistas, profissionais e mães em torno da promoção do aleitamento.

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