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MS tem menos de 1% das rodovias duplicadas e enfrenta desafio logístico para crescer

Estado aparece entre os piores do país em malha viária duplicada, com impacto direto na competitividade e no escoamento da produção

📅 27/04/2026 15:29 | Fonte: Campo Grande News
MS tem menos de 1% das rodovias duplicadas e enfrenta desafio logístico para crescer
Divulgação

Mato Grosso do Sul possui apenas 0,74% de sua malha viária duplicada, somando rodovias federais e estaduais. Dos 18.285 quilômetros de estradas existentes, pouco mais da metade — 51,83% (9.478,5 km) — é pavimentada. Ainda assim, somente 137 quilômetros contam com pista dupla em cada sentido, evidenciando um dos principais gargalos estruturais do Estado.

De acordo com dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos, a extensão total de rodovias duplicadas equivale, aproximadamente, à distância entre Campo Grande e São Gabriel do Oeste — cerca de 137 quilômetros.

Malha federal concentra maior parte das duplicações

A malha federal apresenta o maior percentual de vias duplicadas, embora ainda considerado baixo. Segundo o levantamento de 2026 do Sistema Nacional de Viação, o Estado possui 4.653,5 quilômetros de rodovias federais, sendo 3.816,4 km pavimentados. Destes, apenas 79,5 quilômetros (1,70%) são duplicados.

Esse trecho equivale, por exemplo, à distância entre Campo Grande e Rochedo, reforçando a limitação da infraestrutura diante da demanda crescente.

Rodovias estaduais têm índice ainda menor

Na malha estadual, a situação é ainda mais crítica. Dos 13.631,8 quilômetros administrados pela Agesul, 7.969,7 km não são pavimentados. Entre os 5.662,1 km asfaltados, somente 57,5 quilômetros — o equivalente a 0,42% — possuem pista dupla.

Essa extensão é inferior à distância entre Campo Grande e Sidrolândia, o que evidencia o baixo nível de duplicação nas rodovias sob gestão estadual.

Comparação nacional expõe atraso

No ranking nacional, Mato Grosso do Sul apresenta o oitavo pior índice de rodovias federais duplicadas do país. A comparação com outros estados do Centro-Oeste mostra a defasagem:

  • Goiás possui 12,53% de sua malha federal duplicada;
  • Mato Grosso registra 6,42%;
  • Já Maranhão, com extensão semelhante, tem 3,32%.

Além disso, o Estado não conta com longos trechos contínuos duplicados. As extensões variam entre 500 metros e 9,2 quilômetros, concentradas principalmente em acessos urbanos, contornos rodoviários, regiões próximas a pedágios e corredores logísticos.

Fluxo intenso em rodovias simples

Mesmo com infraestrutura limitada, as principais rodovias apresentam alto fluxo de veículos. A BR-163, principal eixo logístico do Estado, registrou mais de 10 mil veículos por dia no trecho entre Rio Brilhante e Dourados em 2025.

Outras rodovias também apresentam tráfego significativo:

  • BR-060: até 7.676 veículos/dia;
  • BR-158: 6.683 veículos/dia;
  • BR-267: 6.469 veículos/dia;
  • BR-376: 5.310 veículos/dia;
  • BR-262: 5.269 veículos/dia.

Apesar do volume elevado, todos esses trechos permanecem, em sua maioria, com pista simples, o que aumenta riscos de acidentes, reduz a fluidez e eleva os custos logísticos.

Desafio estratégico para o desenvolvimento

A baixa proporção de rodovias duplicadas representa um dos principais entraves para o avanço econômico de Mato Grosso do Sul, especialmente para setores como agronegócio, indústria e logística.

Projetos como a Rota Bioceânica e concessões rodoviárias recentes podem contribuir para mudar esse cenário nos próximos anos. No entanto, especialistas apontam que a ampliação da malha duplicada será fundamental para garantir competitividade, segurança viária e eficiência no escoamento da produção.

Com uma economia em expansão e forte dependência do transporte rodoviário, o Estado enfrenta o desafio de acelerar investimentos em infraestrutura para sustentar seu crescimento de forma equilibrada e sustentável.

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